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- Foto: Mauro Samagaio
Clássico Teatro do Copacabana Palace será reaberto após 27 anos

O hotel Copacabana Palace, famoso cartão postal arquitetônico do Rio de Janeiro, anunciou para novembro de 2021 a reabertura do seu clássico teatro, após 27 anos fechado. O Teatro Copacabana Palace, considerado um dos grandes palcos do país, por onde já passaram nomes como Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Tônia Carrero, Renata Sorrah e Marieta Severo, estava fechado desde 1994 – quando recebeu a peça Desejo, estrelada pela atriz Vera Fischer.

Copacabana Palace – O Musical será o primeiro espetáculo a estrear no espaço, em dezembro desde ano. Na peça serão recriados momentos emblemáticos da história do hotel, fazendo com que a plateia se transporte para a atmosfera do Copa e conheça alguns dos personagens que já passaram por lá, ajudando a escrever e cantar a história do hotel. A idealização e direção é de Gustavo Wabner e Sergio Módena, com texto das autoras e produtoras Ana Velloso e Vera Novello e do jornalista e escritor Luis Erlanger e produção executiva e artística da Sábios Projetos.

“Após um trabalho excepcional de toda a equipe envolvida na reforma do Teatro Copacabana Palace, estamos muito felizes em anunciar a reabertura deste que é um verdadeiro patrimônio cultural da cidade. Será um presente para as próximas gerações e esperamos ansiosos para compartilhar momentos inesquecíveis com o público”, afirma Ulisses Marreiros, gerente Geral do Copacabana Palace, hotel do grupo Belmond.

O Teatro Copacabana Palace foi inaugurado em 1949, com a peça A Mulher do Próximo, de Abílio Pereira de Almeida. Em 1953, um incêndio de grandes proporções o atingiu. O espaço foi recuperado e reinaugurado em 1954 com a peça Diálogos das Carmelitas. Em 1994, o teatro fechou as portas e, em 2018, iniciaram os preparativos e obras do novo projeto de revitalização do icônico Teatro Copacabana Palace.

Desde sua abertura, já passaram por seu palco renomadas companhias teatrais nacionais, entre elas a de Abílio Pereira de Almeida, Cia. Fernando de Barros, Cia. Os Artistas Unidos, Cia Dramática Nacional, Teatro Brasileiro de Comédia, Cia. Maria Della Costa, Teatro dos Sete. Além disso, consagrados artistas brasileiros já atuaram no Teatro Copacabana Palace, como Cacilda Becker, Cleyde Yáconis, Henriette Morineau, Procópio Ferreira, Bibi Ferreira, Marília Pêra, Susana Vieira, Jorge Dória e Vera Holtz.

O novo teatro terá capacidade para 332 lugares, sendo 238 na plateia e 70 no balcão, além de 18 assentos distribuídos entre 4 frisas e 6 camarotes. A acessibilidade e a mobilidade estão contempladas no projeto, com poltronas para pessoas obesas e com mobilidade reduzida e espaços destinados a cadeirantes. A acessibilidade se estende ao palco através de elevador e aos camarins.

Com projeto do arquiteto Ivan Rezende, a revitalização do Teatro Copacabana Palace contempla os elementos decorativos do espaço em sincronismo com a atmosfera do Copacabana Palace. “A sensação é de que o teatro além de rejuvenescido em suas áreas históricas, tombadas pelo patrimônio histórico, ganhou em grandeza com as novas perspectivas arquitetônicas” , afirma o arquiteto. “Mantivemos o estilo clássico e elegante do Copa, mas com toda a tecnologia e modernidade de 2021”, destaca Paulo André Pozzobon, diretor de Engenharia da Divisão América do Sul da Belmond e coordenador Geral do projeto de renovação do Teatro Copacabana Palace.

Exposição baiana sobre cachaça celebra o dia do destilado mais famoso do país

Antecipando o Dia Nacional da Cachaça, celebrado em 13 de setembro, a exposição Semana Baiana da Cachaça com a mostra de grandes rótulos ressalta a importância social, cultural e econômica do destilado mais famoso do país. A ação, promovida pela Quitanda do Baianinho em parceria com o Salvador Shopping, pode ser visitada gratuitamente até o dia 20 de setembro, no Espaço Gourmet – Piso L1, na capital baiana.

O crescimento da produção de cachaça genuinamente nacional é destaque no Brasil e no exterior e representa cerca de 80% do segmento de destilados, sendo que a produção de cana-de-açúcar no Brasil, somente para a fabricação de cachaça, chega a 10 milhões de toneladas por ano, o equivalente a uma área plantada de 125 mil hectares.

Um dos destaques da Semana Baiana da Cachaça é a exposição da Cachaça Salinas, natural de Minas Gerais, que desde 2018 é considerada a capital mundial da bebida. A cachaça começou a ser produzida na cidade mineira com a chegada dos primeiros fazendeiros que seguiram os rastros da pecuária. Alguns deles chegaram da Bahia no século XIX (entre 1880 e 1890), passaram a desbravar as redondezas e reservar áreas de suas fazendas para o plantio de cana. A mostra ainda possui outros itens históricos de Salinas.

Na Semana Baiana da Cachaça, o público ainda vai saber mais sobre a tradição e cultura da Cachaça de Alambique na Bahia e no Brasil, além de apresentar produtos da região do Recôncavo Baiano de cooperativas ligadas ao universo da agricultura familiar, tais como: geleias, rapaduras, pimentas e mandioca.

Serviço:

O quê: Exposição Semana Baiana da Cachaça

Onde: Espaço Gourmet – Piso L1 do Salvador Shopping (Av. Tancredo Neves, 3133, Caminho das Árvores)

Quando: segunda a sábado, das 10h às 22h; domingo, das 12h às 21h (até 20 de setembro)

Quanto: visitação gratuita

MAM-Bahia abre inscrições para oficinas com os artistas J. Cunha e Maxim Malhado - Foto: Robson Mendes / GovBA
MAM-Bahia abre inscrições para oficinas com os artistas J. Cunha e Maxim Malhado

Estão abertas as inscrições para a segunda etapa em 2021 das Oficinas do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-Bahia) com os artistas J. Cunha e Maxim Malhado sobre Processos Criativos em Cenografia, Pintura e Desenho e Processos Criativos …canteiro de obras… instalações, respectivamente. Os dois artistas estão com trabalhos expostos na atual mostra O Museu de Dona Lina, que tem entrada gratuita até 10 de dezembro, no MAM-Bahia, em Salvador. As inscrições gratuitas devem ser feitas até o dia 15 de setembro pelo site www.oficinasdomam.com.br.

As oficinas acontecem em formato hibrido, com aulas remotas e presenciais e são voltadas para artistas, estudantes de arte ou pessoas que desejaram experimentar o fazer artístico. O curso de J. Cunha começa no dia 29 de setembro e será sempre às quartas-feiras. Já o de Maxim Malhado terá início no dia 30 de setembro e acontecerá às quintas-feiras. O horário das duas oficinas será sempre das 14h30 às 17h30. “A intenção é promover cursos com absoluta segurança para a saúde de todos”, explica a diretora da Trevo Produções, Vanessa Vieira, que realiza as Oficinas do MAM-Bahia em 2021.

Mais de mil pessoas se inscreveram na primeira etapa das Oficinas do MAM-Bahia, que começou em 6 de julho deste ano, com nomes como: Vauluizo Bezerra, Iêda Oliveira, Francisco Barretto, André Bahiense, Thiago Moreira e Renato Fonseca.

O museu de Dona Lina

Até o dia 10 de dezembro, o público que for ao MAM-Bahia poderá ver a exposição O museu de Dona Lina, em homenagem à idealizadora do museu baiano, a arquiteta italiana Lina Bo Bardi. A mostra pode ser vista de terça a sexta-feira, das 13h às 17h. Brevemente abrirá aos sábados. O Café também fica aberto, por enquanto, de terça à sexta-feira, das 12h às 19h. A entrada e o estacionamento com capacidade para 50 veículo são gratuitos.

Serviço:

O quê: Oficinas do MAM-Bahia com os artistas J. Cunha e Maxim Malhado sobre Processos Criativos em Cenografia, Pintura e Desenho e Processos Criativos …canteiro de obras… instalações

Quando: inscrições on-line até 15 de setembro. Início das aulas on-line em 29 e 30 de setembro, respectivamente, sempre das 14h30 às 17h30

Onde: pelo site www.oficinasdomam.com.br

Informações: (71) 31176132

Cantora baiana Xenia França participa do projeto Inhotim em Cena - Foto: Brendon Campos
Cantora baiana Xenia França participa do projeto Inhotim em Cena

A cantora e compositora baiana Xenia França participa do projeto Inhotim em Cena desta semana. A performance musical inédita foi gravada entre as Patas de Elefante, um dos elementos do Jardim do Inhotim, em Brumadinho (MG), e será transmitida neste sábado (dia 11), a partir das 11h, pelo site e pelo canal do Instituto Inhotim no YouTube. “A arte me emociona de todas as formas possíveis. Estar no Inhotim é como estar em outra dimensão, uma outra atmosfera. E vejo na natureza a capacidade de criar com tanta facilidade coisas simples e complexas”, ressalta a cantora.

O repertório do show mescla jazz, música eletrônica, ritmos cubanos e afro brasileiros. Entre os destaques do repertório, está a música Pra que me chamas?, do álbum XENIA. O disco, lançado em 2017, teve produção musical de Lourenço Rebetez e Pipo Pegoraro, e coprodução da própria artista. A música e o álbum, inclusive, renderam à Xenia a indicação ao Grammy Latino em duas categorias.

Xenia França nasceu na cidade de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador, e começou a carreira artística como modelo em São Paulo. Em 2008, passou a cantar em bares da capital paulista, quando foi descoberta pelo rapper Emicida, que a convidou para participar das gravações do EP Sua Mina Ouve Meu Rep Tamém e do álbum Emicídio, ambos de 2010.

A cantora está inserida em um cenário artístico de reverência e valorização da cultura afro-brasileira. Foi por meio de sua música que a artista construiu pontes para além dela. À convite do Ministério de Relações Exteriores da Alemanha, ela participou da criação da rede UNIDAS – uma iniciativa para aproximar mulheres da Alemanha, Caribe e América Latina.

Já passaram pela programação do Inhotim em Cena 2021, projeto que tem apoio do Instituto Cultural Vale, nomes emblemáticos da música brasileira como Arnaldo Antunes, Otto e Pedro Luís. Todos os shows estão disponíveis no canal do Instituto Inhotim no YouTube.

Serviço:

O quê: Projeto Inhotim em Cena com a cantora baiana Xenia França

Quando: sábado (dia 11), às 11h

Onde: Transmissão no site e no canal do instituto no YouTube.

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Documentário "Danças Negras" trata do processo de descolonização sócio-cultural no Brasil - Foto: Divulgação
Documentário “Danças Negras” trata do processo de descolonização sociocultural no Brasil

Refletir sobre importantes aspectos das artes negras no processo de emancipação e descolonização sociocultural no Brasil foi o que motivou João Nascimento a realizar o documentário Danças Negras, que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (dia 9). A ideia surgiu há cerca de seis anos, quando Nascimento, artista e pesquisador de cultura negra em diáspora, protagonizou ao lado do Fórum de Artes Negras e Periféricas a luta anti-racista e democrática em torno do programa de Fomento à Dança na cidade de São Paulo. Somatizando à experiência junto a Cia de Dança Negra Treme Terra o qual o João Nascimento é diretor-fundador desde 2006, o filme costura uma trama pavimentada no olhar artístico contemplativo com forte viés político, antropológico e cultural.

Além de figuras ilustres do campo das artes do corpo, da capoeira, dos terreiros de candomblé, do movimento negro e ambiente acadêmico, o filme conta com entrevistas exclusivas de Raquel Trindade (falecida em abril de 2018) e Makota Valdina (falecida em março de 2019). “Danças Negras trilha caminhos poéticos fundamentados na ancestralidade, nas memórias marcadas em corpos que dançam histórias, movimentações estéticas, políticas e sonoras oriundas das diásporas africanas no Brasil e outros desdobramentos urbanos marcados pela transculturalidade”, ressalta João Nascimento, diretor do documentário em parceria com Firmino Pitanga.

“Registrar em formato de documentário as matrizes negras da diáspora africana na dança contemporânea brasileira é resistir ao soterramento e ao embranquecimento das nossas identidades e tradições, estratégia criada pelos colonizadores desde o período escravocrata, quando os negros e negras antes de passar pela “porta do não retorno”, eram submetidas ao “ritual de esquecimento em volta do Baobá” no Benin, com o propósito de apagar nossas histórias, culturas, origens e nossa ancestralidade, afirmam os diretores.

Em seu depoimento ao documentário, o antropólogo Kabengele Munanga diz que “o racismo é uma ideologia que consiste em inferiorizar os outros, negar a humanidade dos descendentes de africanos, a sua capacidade de produzir obras de arte e culturas que marcaram a história da ciência e da tecnologia. Todo esse processo de hierarquização faz parte do fenômeno chamado racismo, que permeia todas as áreas. As artes africanas foram consideradas inferiores, primitivas, infantilizadas mesmo, e foi preciso um tempo para se dar conta que a arte negra tem expressões e raízes profundas que vêm da cultura de um povo, porque arte não cai do céu”.

Além de Kabengele Munanga, Raquel Trindade e Makota Valdina, Danças Negras tem depoimentos exclusivos de Clyde Morgan, Edileusa Santos, Lia Robatto, Enoque Santos, Helena Katz, Dinho Nascimento, Salloma Salomão, Mestre Felipe, Fernando Ferraz, Mestre Lumumba, Carlos Moore e do coreógrafo Firmino Pitanga que também assina a direção do filme.

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Morre em São Paulo o ator Sérgio Mamberti - Foto: Divulgação
Morre em São Paulo o ator Sérgio Mamberti

Morreu na madrugada desta sexta-feira (dia 3), em São Paulo, o ator Sérgio Mamberti, aos 82 anos. Ao longo deste ano, ele enfrentava problemas de saúde devido a uma disfunção renal e pneumonia. Segundo o filho do ator, Carlos Mamberti, a causa da morte do pai foi falência múltipla dos órgãos. “Ele foi um guerreiro na vida que, infelizmente, chegou ao fim. Meu pai deixou um legado de amor pela cultura do Brasil. Que todo mundo se inspire na força dele para deixar nossa cultura cada vez mais forte e expressiva”, afirmou Carlos em entrevista ao G1. O velório e o sepultamento do ator serão realizados em São Paulo.

Sérgio Mamberti deixa três filhos, o ator Duda Mamberti, o produtor Carlos Mamberti e o diretor de TV Fabrízio Mamberti. Sérgio era viúvo de Vivian Mahr, com quem foi casado de 1964 a 1980 e de Ednardo Torquarto, seu companheiro por 37 anos, até a morte de Ednardo, em 2019. Sérgio era irmão do também falecido ator Cláudio Mamberti. Nascido em 22 de abril de 1939, em Santos (SP), Sérgio formou-se em Artes Cênicas pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP) e estreou na televisão, na novela Ana, da TV Record, em 1968. No cinema, a estreia foi em 1966 com a comédia Nudista à força, de Victor Lima.

O ator, autor, diretor, produtor e artista plástico foi um dos fundadores do Partidos dos Trabalhadores (PT), do qual era filiado. Sérgio ocupou diversos cargos dentro do Ministério da Cultura durante o Governo Lula. Ele foi Secretário de Música e Artes Cênicas, Secretário da Identidade e da Diversidade Cultural, presidente da Fundação Nacional de Artes (FUNARTE) e Secretário de Políticas Culturais. Em 2021, lançou a autobiografia Sérgio Mamberti: Senhor do meu Tempo, escrita com o jornalista Dirceu Alves Jr., em que falava dos mais de 60 anos dedicados as artes cênicas.

A expressão “Raios e trovões“, bordão que era proferido pelo ator ao interpretar o famoso Doutor Victor, no histórico seriado Castelo Rá-Tim-Bum, da TV Cultura, na década de 1990, ficou entre os assuntos mais comentados do Twitter. Nas redes sociais, muitos fã, amigos, colegas e personalidades lamentaram a morte de Sérgio Mamberti.

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Espetáculo "Medeia Negra" retorna em temporada presencial em Salvador - Foto: Ricardo Boni
Espetáculo “Medeia Negra” retorna em temporada presencial em Salvador

O espetáculo solo Medeia Negra retorna em curta temporada presencial no Teatro Sesc Pelourinho, em Salvador, marcando a retomada das atividades com público no espaço cultural da capital baiana. A premiada montagem volta em cartaz para celebrar esse momento e os três anos de estreia do espetáculo. Medeia Negra, estrelado pela atriz Márcia Limma, recria o mito grego para os contornos reais da voz, do corpo e do pensamento de uma mulher negra.  A temporada acontece nesta quinta, sexta e sábado (dias 2, 3 e 4) e na próxima sexta e sábado (dias 10 e 11), às 19h, com ingressos a R$40 (inteira) e R$20 (meia entrada).

A temporada marca a retomada das apresentações presenciais em Salvador, que foram autorizadas pela prefeitura no último dia 9 de agosto com novas medidas de segurança para evitar a transmissão da Covid-19. O Teatro Sesc Pelourinho terá a capacidade reduzida em 40%, com apenas 60 espectadores por apresentação, seguindo o distanciamento entre o público e também entre artistas e plateia, além de controle de temperatura no acesso ao teatro.

Durante a pandemia, Medeia Negra foi visto por mais de 6 mil pessoas de todo o País em formato on-line pela plataforma SESC Em Casa. O espetáculo também foi apresentado em festivais no Uruguai, Alemanha e Portugal, além de São Paulo, Ceará e diversas cidades do interior da Bahia em 2018. No ano seguinte, Márcia Limma foi indicada ao Prêmio Braskem de Teatro 2019, na categoria melhor atriz.

A narrativa expõe as opressões da mulher negra em diferentes lugares de fala e tempos históricos, como um grito contundente contra a estrutura social que a marginaliza, julga e aprisiona. Com elementos musicais, do jazz e blues americanos, referências políticas e da intelectualidade negra, como Ângela Davis, Djamila Ribeiro e Grada Kilomba, a peça provoca o público a refletir sobre o seu lugar no processo de descolonização dos mitos e práticas patriarcais e racistas.

O espetáculo foi fruto da pesquisa da atriz no Mestrado em Artes Cênicas, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), e envolveu mulheres em situação de encarceramento no principal complexo penal de Salvador. As internas participaram das oficinas teatrais conduzidas por Márcia Limma. Em uma delas, após estudar diferentes versões do mito, as internas escreviam cartas à Medeia. As emoções e desejos registrados nessa ‘troca de mensagens’, assim como referências do dia-a-dia das mulheres, fazem parte da dramaturgia.

“São histórias de uma Medeia que foi enegrecida a partir dessa convivência. Nós partimos do clássico de Eurípedes, mas trazemos contornos reais a partir deste corpo negro e da convivência com mulheres criminalizadas. Isso justamente para colocar o feminismo negro no protagonismo da cena”, explica a atriz.

Desde o início do espetáculo a plateia é tensionada pelo binarismo masculino e feminino. Ao centro, Márcia Limma reverencia a religiosidade afrobrasileira e contrapõe a tradição grega a arquétipos das divindades como Nanã, Iansã, Exu e Omolu na construção do corpo-político que evoca o poder das mulheres de reagir às violações e lutar pela libertação de todo um povo. A cenografia valoriza e destaca o trabalho da protagonista, recriando o universo mítico com elementos do afrofuturismo.

Serviço:

O quê: Espetáculo Medeia Negra

Quando: quinta, sexta e sábado (dias  2, 3 e 4) e sexta e sábado (dias 10 e 11), às 19h

Onde: Teatro SESC Pelourinho (Largo do Pelourinho, 19, Centro Histórico de Salvador)

Quanto: ingressos a R$40 (inteira) e R$20 (meia entrada). Capacidade total do teatro reduzida para 60 lugares, a fim de garantir distanciamento entre o público.